Blog - Comunidade Diabetes
Busca:
    sábado, 04/09/2010 Home Últimos Posts Comunidade Diabetes Perfil
Rebeldia
Postado em: 03/09/10 - Por: Rose Passos


Vote no nosso Blog!


Tudo bem com vocês? Por aqui está tudo bem. Principalmente por ser sexta-feira e haver a perspectiva do feriado prolongado e podermos descansar um pouco mais. Para mim, nesta semana, a correria foi “punk” e ainda não acabou... então imagino que para vocês também o cansaço esteja suplicando por uma pausa. Tenhamos calma, pois essa pausa está chegando.

Das muitas pessoas que conheço que têm diabetes tenho observado que os DM2 são bem mais rebeldes e têm dificuldade de aceitar o diabetes do que os meus amigos DM1. Isso talvez se deva ao DM1 normalmente ocorrer logo nos primeiros anos de vida da pessoa, então ela acaba crescendo disciplinada para o controle glicêmico.

Já os DM2, cujas causas, além do fator hereditariedade, envolvem maus hábitos alimentares e sedentarismo, costumam ser mais rebeldes e até se revoltarem com a obrigatoriedade do monitoramento glicêmico e tratamento oral ou insulínico.

Tenho um amigo aqui no Rio de Janeiro, que tem DM2 há quase 20 anos. Sobram-lhe tiras medidoras da glicemia todos os meses, pois os dextros que deveriam ser diários, 3 vezes ao dia, pelo menos, são feitos, quando ele se lembra, uma única vez ao dia. É a criatura mais bem humorada que eu conheço, mas sua função renal parou, ele não enxerga direito e já está desenvolvendo os primeiros sintomas da neuropatia diabética. Apesar dos seus cinqüenta e poucos anos, ele acha que já viveu o suficiente e acredita que não tenha mais nenhuma “patia” para ser desenvolvida, por isso ele não fica monitorando com a devida frequência.

São vários os enganos desse meu amigo. O primeiro deles é achar que já viveu o suficiente. Minha avó paterna faleceu aos 103 anos de idade e eu pretendo realmente bater esse recorde. Ninguém aos cinqüenta e poucos anos viveu o suficiente. O outro erro dele é achar que não há mais nenhuma patia a ser desenvolvida. Há! Se a neuropatia diabética não for refreada a tempo, esse meu amigo terá problemas tão sérios que o poderão levar, inclusive, a amputações. Ninguém pode aceitar isso de forma deliberada.

Muitas vezes a revolta contra o diabetes nos torna apáticos e assim permitimos que a nossa vida se esvaia lentamente, mas é preciso compreender que esse processo, apesar de lento, assemelha-se a um suicídio e pode ser muito, mas muito doloroso.

Meus amigos DM2 falam com muito pesar sobre como era bom poder beber cerveja à vontade e comer churrasco sem se preocupar com mais nada, mas depois do “maldito diabetes”, tudo mudou. Revoltam-se.

Sempre soube que até água em demasia faz mal. E o problema não estava na cerveja ou no churrasco, mas no exagero das quantidades e da frequência. Eu sei muito bem o que é exagero, pois eu mesma sou compulsiva com chocolate, por isso evito tê-lo em casa. Os exageros nos levam ao aumento de peso que juntamente com a vida sedentária, forçam a nossa função pancreática e o coitado do pâncreas não dá conta de tanto esforço e começa a falhar.

Rebelar-se não ajuda em nada e certamente atrapalha. Quem já teve a oportunidade de fazer um curso de Primeiros Socorros sabe muito bem que a gente só consegue resgatar uma vítima de afogamento se ela não se debater. Se a vítima começar a se debater, até quem estiver tentando socorrê-la pode tornar-se também vítima desse afogamento.

Com o diabetes é a mesma coisa. Enquanto nos debatemos sem aceitarmos que nossa vida precisa de regras, estaremos nos afogando. Mas quando simplesmente deixamos de rebeldia é que o socorro se mostra eficaz.

Pensemos nisto.

Curtam bastante o final de semana. Eu também vou curtir. Na segunda e na terça-feira não teremos atualização do Blog. Voltaremos na quarta-feira com as baterias super carregadas. Portanto excelente final de semana e feriado para todos.

Grande beijo e até lá.

[+] Comente esse POST        [+] Enviar para um amigo

 
De Bem com a Vida
Postado em: 02/09/10 - Por: Rose Passos


Vote no nosso Blog!


Tudo bem com vocês? Aqui, felizmente, está tudo bem.

Quando a gente recebe o diagnóstico de diabetes e ele não era esperado, a impressão que temos é a de que o nosso mundo desabou, nossa vida acabou, estamos com um decreto de privações ou, se piorar, de morte.

Todos esses sentimentos são comuns e até outros piores. Mas a verdade é que tem gente que tem diabetes e isso não significa nada de mundo desabado, vida acabada, decreto de privações, morte, etc.

Sou feliz por conhecer um time de pessoas com diabetes que estão super de bem com a vida, obrigada. Esse time é composto por pessoas que estudam sobre o diabetes para poder conhecê-lo cada vez mais. Pessoas que mantém um controle glicêmico muito bom e sabem fazer substituições alimentares inteligentes que não conduzem à perda do prazer de viver.

Sempre que a gente fala em diabetes as pessoas logo fazem careta e dizem: “Xi, diabetes” Que chato! Não pode comer nada e tem que tomar “injeção” todos os dias.” E isso é o resultado da desinformação, pois uma pessoa que pensa dessa forma, ao ser diagnosticada vai realmente pensar que o mundo desabou e a vida acabou.

Hoje eu estava falando ao telefone com uma amiga cujo marido fazia hemodiálise, mas ele faleceu há poucos meses e ela contava como o marido se revoltava em ser obrigado a fazer as sessões. Ela disse que ele nunca aceitou ser renal crônico que necessitava dialisar.

São situações diferentes, pois a hemodiálise é realmente um tratamento agressivo para todo o organismo e possui suas complicações. Mas até mesmo com relação ao diabetes há muitas pessoas que não aceitam, se revoltam e ficam lutando o tempo todo com a condição. Tenho a impressão de que um comportamento assim só torna tudo mais complicado. A começar pela produção de adrenalina pelo stress vivido ao invés de endorfina que é produzida quando estamos felizes e sentindo prazer.

Claro que ninguém que é diagnosticado com diabetes sai por aí comemorando, mas a rebeldia sequer é neutra. Ela atrapalha mesmo, diminuindo a nossa qualidade de vida e até mesmo encurtando-a.

Meu marido teve o diagnóstico do diabetes aos 12 anos de idade e apesar da tensão que é manter o controle glicêmico, nunca o vi revoltar-se de maneira importante com o diabetes. O máximo que já presenciei foi vê-lo praguejar por ter aplicado insulina e mesmo assim a glicemia ainda estar elevada, pois tinha a sensação de que por mais que fizesse pelo bom controle, não é uma ciência exata. E sei que todo mundo passa por esse momento de bronca. Uns com mais e outros com menos intensidade, mas passam.

Estar de bem com a vida, apesar do diabetes, certamente auxilia no bom controle, pois não há um stress agindo contra. Dizem que devemos fazer limonadas com os limões que a vida nos oferece. Em relação ao diabetes, façamos então uma forma de “escolha forçada” para adotarmos a vida saudável.

É possível sim estarmos de bem com a vida, mesmo ConVivendo com o Diabetes.

Amanhã vamos falar sobre o confronto com o diabetes.

[+] Comente esse POST        [+] Enviar para um amigo

 
   Últimos Posts       Perfil        Regras de uso
Designed by AlvoPM
sábado, 04/09/2010